quarta-feira, 24 de outubro de 2007

CARTA AOS SENADORES A RESPEITO DO PLC 122/2006

Ao saber que estaria na pauta das votações o Projeto de Lei Complementar 122/2006 que dispõe sobre condutas havidas como de discriminação dos homossexuais, escrevi carta pessoal aos senadores Aloísio Mercadante, Álvaro Dias, Cristovam Buarque, Delcidio Amaral, Eduardo Suplicy, Francisco Dornelles, Jarbas Vasconcelos, Jeferson Peres, José Sarney, Magno Malta, Marcelo Crivella, Marco Maciel, Pedro Simon, Romeu Tuma, Tasso Jereissati e Tião Viana, com o seguinte teor:

São Paulo, 23 de outubro de 2007

Excelentíssimo Senhor Senador:

Venho à presença de Vossa Excelência para informar que tenho acompanhado com atenção o cumprimento de seu mandato no Senado da República, sempre buscando o bem de nossa nação.

Sou cidadão brasileiro, adulto e responsável, professor e pastor há quase 50 anos, Presidente Emérito da Convenção Batista Brasileira, entidade a que presidi cinco vezes e que reúne uma comunidade de mais de dois milhões de brasileiros, somados os membros das igrejas e seus familiares não batizados, sou pai, avô e bisavô, e quero defender as liberdades fundamentais, o que desejo para mim, meus descendentes e meus concidadãos, do Brasil, de seu povo e suas instituições.

Dirijo-me a Vossa Excelência para manifestar minha imensa preocupação com o PLC 122/06, que tramita nessa Casa do Congresso Nacional, pois a norma que propõe não atende, como creio, condições mínimas de manter a paz e a boa ordem da sociedade brasileira, e pode criar, se aprovada, violência aos princípios básicos de liberdade de consciência, de liberdade de expressão e de liberdade religiosa.

Como negar, Excelência, o direito de um empregador manter em seus quadros de funcionários pessoas que tenham determinado perfil? Por exemplo, não fumantes, não inveterados no uso de bebida alcoólica ou homossexuais praticantes?

Como negar, Excelência, ao ministro religioso, seja sacerdote católico ou pastor evangélico, o direito e a liberdade de desde seus púlpitos e cátedras pregar e ensinar o amor de Deus a todas as pessoas, inclusive os homossexuais, mas também o plano e a vontade de Deus, à luz da Sagrada Escritura? Trata-se de questão ética e não de preconceito, de compromisso com Deus e não de discriminação.
Respeito, Excelência, a liberdade de alguém fumar, beber, prostituir-se ou entregar-se à prática homossexual, mas não sou obrigado a aprovar sua conduta. Nosso corpo – é o que a Bíblia ensina e nós cremos, pregamos e ensinamos – é templo do Espírito Santo, que não devemos poluir, aviltar ou mesmo destruir em decorrência do vício seja de drogas, de álcool, do fumo ou de uma sexualidade praticada de modo contrário aos propósitos de Deus.

Tenho compaixão, porque movido pela graça de Deus, de todas as pessoas que se desviam do plano Dele, mas prego há quase 50 anos um evangelho capaz de transformar, de libertar, de produzir uma nova criatura. E tenho visto milhares de vidas libertadas pelo poder do Evangelho de Jesus Cristo.
“Quem está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo”.

Portanto, conclamo Vossa Excelência a votar contra o PLC 122/06.

Humildemente, informo a Vossa Excelência que se for aprovado esse Projeto de Lei, não mudarei minha posição ou negarei meu compromisso pastoral, e continuarei a pregar a verdade bíblica onde for convidado a proclamá-la, mesmo com risco de minha liberdade e até de minha vida.

Respeitosamente,

Irland Pereira de Azevedo

8 comentários:

Josué Costa disse...

Boa Noite Pr. Irland

Pela primeira vez vejo um comentario sensato sobre a Lei da Homofobia; permita-me expor meu simples pensar em relaçao a amplitude e competencia que reside na sua pessoa. A Igreja nunca praticou a Homofobia e é isto que nós temos que mostrar aos que estarao votando, que nos excluam dos que praticam homofobia; pelo contrario a Igreja de Cristo é uma igreja onde é poibido a entrade pessoas de pessoas perfeitas, servimos a um Deus que aceita a todos da forma forma que estão mas mediante sua graça e amor não permitem que estes permaneçam no mesmo estado que encontram, Ele transforma, restaura, e pregar isto não é Homofobia.
Querido pastor com todo respeito, temos um problema real em nossa sociedade que é a violencia contra os homossexuais, a cada tres dias 1 homossexual é morto de forma violenta; e tem sido notorio os atos brutais contra eles, negros e judeus. Creio que a Lei pode ser aprovada porem não considerando como Homofobia a pregação e o ensino da verdade religiosa.
É dever do estado democratico assegurar o bem estar da minoria, assim como foi assegurado a nós evangelicos.
Concordo plenamente, não deixaremos de pregar a verdade por causa de uma Lei mesmo que isto custe nossa liberdade e ate mesmo a vida, Cristianismo é uma causa pela qual vale a pena morrer.

Um enorme abraço,

Fraternalmente

Leandro Nunes disse...

Pr. Irland sua análise acerca do projeto é muito interessante, pois além de ser uma ação contra os princípios de conduta estabelecido por nosso senhor e salvador é um atentado a própria liberdade individual, que foi conquistada ao longo da história das civilizações ocidentais por meio do sacrifício de milhares de pessoas, insatisfeitas com o cerceamento de seus pensamentos e opiniões, visionários que pagaram um alto preço, suas vidas, para que esse direito fosse garantido.
Todos os defensores da liberdade em uma só voz devem dizer não a tal projeto.

Cláudia Nunes disse...

Oi, tio.
Fico extremamente grata a Deus pela sua vida, sua aguçada inteligência, e seu exemplo. Que possam outros segui-lo para bem do evangelho, da liberdade de expressão e pensamento neste maravilhoso país.
No amor de Cristo
Cláudia

José disse...

Bom dia Pr. Irland

Fiquei feliz com o conteúdo da carta que o irmão enviou aos Senadores. Concordo com as suas palalavras pois estão de acordo com as leis de Deus. Infelizmente muitos ainda não entenderam que "as pessoas felizes são aquelas que andam em caminhos irrepreesiveis, que vivem conforme a lei do Senhor". (Salmo 119:1).
Como pastor, no inicio do ministério, já decidi "antes agradar a Deus do que a sociedade" e por isso adoto a mesma conduta referida pelo irmão no final da carta.
Entendo que nossa missão é grande. Precisamos amar, respeitar e acreditar na restauração dos que fazem opção por caminhos contrários aos determinados por Deus.
Um forte abraço,

Ricardo disse...

Amado pastor, infelizmente os homossexuais não são compreendidos (muitas vezes, nem por eles mesmos). Por outro lado, o tema é altamente complexo para ter qualquer aspecto disciplinado por lei específica. É, também, no mínimo curioso um famoso pastor eletrônico dizer que não há qualquer diferença na "ordem cromossômica" de um homossexual. como se dono da verdade fosse. A medicina, por exdemplo, reconhece que não consegue explicar satisfatoriamente a depressão. Creio que a tendência homossexual seja dificílima de explicar, se é que seja possível. É um grande erro reduzir um tema desse a uma lei (ainda mais uma lei absurda como essa). As consequências das violências verbais e físicas que advêm da homofobia já estão previstas no Código Penal, isso já basta.
Desejo que os cristãos saibam amar e acolher os homossexuais, e lhes pregar a mesma palavra da verdade que deve ser pregada a todos, de acordo com as ordens do Mestre.
Cumprimento o amado pastor em mais um grande texto, esplêndido como toda sua produção, estamos acostumados. Pr. Irland, se houver resposta dos senadores, gostaria de vê-las publicadas e/ou comentadas no blog.

gilmar disse...

Pr. Irland, parabéns pela sua pró-atividade, na qual defendeu esplêndidamente nossa crença bíblica e batista.
Também escrevi para alguns senadores, e estamos numa grande expectativa.
Abraços e admiração de seu irmão e ex-aluno da teológica,
Gilmar Barbosa

Walmor disse...

Discordo totalmente do sonhor.
Pelo contrário do que dizem alguns religiosos que insistem em ser a favor da desigualdade, o PLC 122/06 não prejudicará a liberdade de expressão! Pois liberdade de expressão é dizer aquilo que é justo e quando necessário, e não dizer simplesmente o que pensa!
Não haverá prejudicado com a aprovação da lei, mas 20% da população brasileira será prejudicada caso não a aprovem! Não sejamos injustos. Ninguém quer acabar com a liberdade religiosa de vocês. Todos tem o direito de pregar e profetizar o que bem entenderem, porém dentro de seus limites! Creio que a orientação sexual de vocês não mudará após a aprovação da lei, mudará? Então qual o problema dela ser aprovada ou não?
Não há justificativa justa quando de tratando de preconceito. Não é só da homofobia que digo, e sim toda as formas de preconceito.


Por favor! Percebam que grande parte dos brasileiros sofrem reprimidos pela legislação atual que dá todo o direito a pregar a injustiça! O Brasil tá dando o primeiro passo no quesito igualdade social! Não é só de questão economica que digo, mas questão de inclusão sexual!

O PLC 122/06 é viável! Não sejamos sensacionalistas!

Lu Marinho do Valle disse...
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